Medicina Chinesa é tradicional? Entrevista Dra. Cláudia Barradas
O futuro da Medicina Chinesa é um dos temas desta entrevista à Dra. Cláudia Loureiro Barradas, licenciada em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Superior de Medicina Chinesa de Lisboa, com estágio e formação em acupunctura no Centro de Treino Internacional de Acupunctura de Nanjing, China
Meihua: A Medicina Chinesa é tradicional, alternativa, ou actual?
Cláudia: A Medicina Chinesa é tradicional porque toda a sua filosofia e prática é baseada numa sabedoria que nos foi transmitida há milhares de anos atrás. Não é alternativa mas sim complementar, e é sempre actual.
Meihua: Existem diferenças entra a prática da Medicina Chinesa no Ocidente e na China? Quais?
Cláudia: Na China, a Medicina Chinesa é feita em Hospitais que integram tanto a Medicina Alopática como a Medicina Chinesa e portanto os pacientes têm acesso a todos os métodos terapêuticos essenciais para a sua cura e que vão de encontro às suas verdadeiras necessidades. Não existem várias Medicinas, existem sim aspectos diferentes da mesma e se aprendermos a integrar isso no nosso dia a dia, na nossa cultura, os resultados serão muito mais profundos, duradouros e positivos. Não podemos achar que temos toda a sabedoria e que somos detentores de toda a verdade. Existem coisas que estão para além da nossa compreensão imediata e por isso temos de ter a humildade de perceber que estamos em constante aprendizagem.
Meihua: Quais as principais vantagens que as pessoas reconhecem na Medicina Chinesa?
Cláudia: Não tem efeitos secundários e trata o ser humano como um todo. Pretende-se tratar a causa da origem do problema e não só os seus sintomas. Por isso o caminho para a cura e para o bem estar é muito mais pleno e satisfatório. Há um trabalho que é feito entre o terapeuta e o paciente para que aconteça uma verdadeira mudança a todos os níveis. Se a pessoa estiver preparada para a fazer ocorrem transformações incríveis.
Meihua: Há outras vantagens da Medicina Chinesa não reconhecidas habitualmente?
Cláudia: A maior dádiva da Medicina Chinesa é ser uma Medicina preventiva. Se usada desde cedo, pode prevenir uma série de doenças e desequilíbrios que nos afectam a todos actualmente. Os cidadãos e o Estado gastam anualmente milhares de Euros em terapias, intervenções e medicação que podiam ser reduzidos e evitados se a filosofia de vida e de prevenção mudasse nas escolas, nas Instituições e nas nossas casas.
Meihua: Os resultados da Medicina Chinesa são idênticos aos da Medicina Convencional?
Cláudia: A Medicina Alopática ou Convencional está preparada para reagir a doenças ou seja, é reactiva: corrige os problemas depois de estes aparecerem. A Medicina Chinesa é primeiramente preventiva. O ideal seria actuarmos antes de estarmos doentes pois ao actuar preventivamente, podemos prevenir futuras doenças. Infelizmente ainda estamos longe desse ideal. Normalmente só procuramos ajuda quando os problemas já estão demasiadamente enraizados e aí o processo de cura é muito mais demorado e muitas vezes difícil de conseguir.
Meihua: Porque se diz que a Medicina Chinesa tem vocação para as Doenças Crónicas?
Cláudia: Um dos benefícios da Medicina Chinesa é o alivio das dores, a redução da ansiedade e o aumento do bem estar e tudo isso é de extrema importância para quem sofre de doenças crónicas.
Meihua: A Medicina Chinesa tem competências para os problemas de excesso de peso?
Cláudia: Claro que sim. Tal como em tudo, é preciso perseverança e é preciso fazer mudanças a todos os níveis se queremos reduzir ou estabilizar o nosso peso. Também há que perceber que todos os corpos são diferentes e que não podemos ter todos as mesmas medidas.
Dependendo do problema da pessoa é traçado um plano de tratamentos adequado a cada caso e através da Acupunctura, da Fitoterapia, do exercício físico e de uma mudança alimentar o peso é reduzido de uma forma equilibrada e saudável.
Meihua: Qual o futuro da Medicina Chinesa no Ocidente?
Cláudia: Espero que futuramente nomeadamente em Portugal, visto que em outros países isso já acontece, a Medicina Chinesa possa ser integrada no Sistema Nacional de Saúde.